11 janeiro 2011

Remédio pode sair até 122% mais caro

Levantamento comprova que consumidor deve pesquisar na hora de adquirir qualquer tipo de produto.
Quando estamos doentes ou quando o remédio acaba, o mais cômodo, geralmente, é comprar na farmácia mais próxima de casa ou do trabalho. Isso é característico até mesmo por conta da necessidade de se ter rapidamente o medicamento à mão, para não perder o horário certo de consumi-lo. 

Porém, essa prática de não pesquisar o preço antes de comprar pode sair até 122% mais oneroso para o bolso do fortalezense. É o que indica pesquisa feita pelo Diário do Nordeste, na última semana, com uma lista de 10 remédios, em nove grandes redes de drogarias da Cidade.

No preço do Pantozol 20mg, com 7 comprimidos, utilizado no tratamento de esofagites leves, foi encontrada a maior diferença entra as farmácias de Fortaleza. O menor valor por R$ 13,43, e o maior por R$ 29,90, ultrapassando os 120% de variação. 

Outro medicamento que apresentou extrema disparidade de preço foi o antibiótico Amoxicilina (caixa com 15 comprimidos), com até 110% de diferença de preço. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma), Maurício Filizola, no caso específico desse antibiótico, a distinção entre os valores se deve em virtude da grande quantidade de laboratórios fabricantes da substância.

Ele citou também o caso de alguns medicamentos que, segundo a pesquisa, são vendidos até pelo dobro do preço em farmácias distintas. “O que acontece é que existe um programa de descontos dos laboratórios que fabricam esses remédios e a redes de farmácias cadastradas, metade do preço é subsidiado pelo fabricante neste caso”, conta.

O programa é chamado de PBM (Pharmacy Benefits Management ou Gestor de Benefício Farmácia). Começou nos EUA na década de 1960. Chegou ao Brasil 30 anos depois, com algumas empresas oferecendo esse serviços para seus funcionários.

Por esse programa, o médico prescreve o medicamento, o paciente liga em um número 0800 (específico de cada laboratório), cadastra-se, repassa as informações da receita, inclusive, do médico, e ao chegar na farmácia consegue o desconto. 

No caso do Lipitor 80mg e do Diovan HCT 160/ 12,5mg, com 28 comprimidos, que, em Fortaleza, custam R$ 222,47 e R$ 103,65, respectivamente; com o desconto do PBM, em algumas drogarias pesquisadas, estavam custando a metade, na sequência, R$ 111,23 e R$ 51,83. “Esse procedimento relaciona indústria, varejo, médico e paciente. Já está presente em quase toda as grandes redes de farmácias no Estado”, afirma Filizola.

m 2010, o setor farmacêutico ampliou seus faturamento em cerca de 10% no Ceará, de acordo com o presidente do Sincofarma, Maurício Filizola. “Foi praticamente no mesmo patamar da média nacional”, diz. 

O crescimento do volume de vendas nas farmácias no Estado é reflexo, também, do impulso da Região Nordeste, que, no ano passado, consolidou-se como a segunda colocada em medicamentos distribuídos pelo atacado, atrás apenas do Sudeste. 

A informação é da pesquisa da IMS Health, divulgada pela Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico (Abafarma). Do total de unidades vendidas para as farmácias em 2010, 17,36% foram repassados para estabelecimentos nordestinos. O percentual corresponde a um movimento de cerca de R$ 5,2 bilhões. “Foi a única região que elevou sua participação nos últimos dois anos. 

O crescimento do PIB acima da média nacional na região, aliado ao aumento da renda refletiram em mais consumo e uma maior demanda do varejo”, aponta Luiz Fernando Buainain, presidente da Abafarma.
Mais de 54,14% dos medicamentos tiveram as farmácias do Sudeste como destino. Em 2009, este índice era de 54,67%. 

O Sul é o terceiro colocado com 16,89%, seguido pelo Centro-Oeste (7,02%) e Norte (4,59%). Foram levados a todo o País aproximadamente 2 bilhões de unidades de remédios – em torno de R$ 30 bi.

“Os indicadores são termômetros dos numerosos desafios e da eficiência da distribuição farmacêutica no Brasil. A atividade atacadista no país é um verdadeiro desafio. Abastecer as quase 60 mil farmácias no Brasil exige planejamento e uma infraestrutura em logística muito consolidada”, afirma Fernando Buainain. 


Fonte: BrasilSUS